A oposta Tifanny Abreu participou, na manhã desta sexta-feira (6), de treino do Osasco no Rio de Janeiro, cidade onde a equipe paulista enfrenta o Fluminense pela Superliga. Impedida de jogar pela nova política de elegibilidade da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), a atleta segue na rotina do grupo, mas não poderá atuar em quadra.

Decisão judicial mantém afastamento

Horas após o treino, a atleta recebeu uma nova decisão contrária à sua participação. O Juízo da 14ª Vara Cível da Comarca da Capital do Rio de Janeiro negou um novo pedido de liminar apresentado pela defesa. Com isso, Tifanny será desfalque no Osasco pela terceira partida consecutiva.

A ação buscava reverter a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que rejeitou por unanimidade o recurso da jogadora apresentado em Mandado de Garantia. Antes, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) havia suspendido uma decisão de primeira instância que garantia a participação da atleta na Supercopa e na primeira rodada da Superliga.

No último pedido à Justiça comum, a defesa argumentou que a mudança de regras desrespeitou direitos reconhecidos anteriormente, como segurança jurídica, confiança legítima e exercício profissional. Os advogados também questionaram a ausência de um período de transição e o uso do marcador genético SRY como critério de elegibilidade.

Nova regra da CBV para o naipe feminino

Em agosto, a CBV definiu novas diretrizes para a regularização de atletas em competições femininas. A entidade seguiu políticas do Comitê Olímpico Internacional (COI), da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e da Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV).

Pelas novas regras, as jogadoras passam a fazer o teste de gênero, que verifica a presença ou não do gene SRY (sigla em inglês para Sex-determining Region Y), associado ao desenvolvimento masculino.

Carreira e planos de aposentadoria

Única atleta trans em atividade na elite do vôlei feminino brasileiro, Tifanny tem 41 anos e já confirmou que se aposentará ao fim da temporada. Enquanto aguarda a possibilidade de voltar às quadras, ela continua acompanhando o grupo nos compromissos pelo país e mantém o condicionamento físico.

A atleta segue, portanto, sem data confirmada para voltar a jogar, enquanto a disputa judicial sobre sua elegibilidade continua.