A crise financeira do Ueno Bank, do Paraguai, chegou ao futebol do país. Jogadores relatam dificuldades para receber salários, e a Conmebol tem cerca de US$ 13 milhões (cerca de R$ 71 milhões) depositados na instituição, que está sob intervenção do Banco Central paraguaio, segundo informou a agência AFP.
Intervenção e reflexo político
O Banco Central do Paraguai interveio no Ueno na terça-feira, 4 de novembro, por problemas de solvência, ou seja, a incapacidade da instituição de cumprir todas as suas obrigações e dívidas. Dois dias depois, o presidente do país, Santiago Peña, apresentou sua renúncia. O Senado rejeitou o pedido e busca abrir um processo de impeachment contra ele no contexto do caso.
A estimativa é de que cerca de 3 milhões de pessoas tenham sido afetadas pela crise bancária. Entre elas, segundo o sindicato dos jogadores paraguaios, há diversos atletas atingidos pelo bloqueio de recursos.
Conmebol e o patrocínio ao torneio
A Conmebol, com sede em Luque, na região de Assunção, mantém o valor em um certificado de depósito a prazo fixo no banco. Segundo uma fonte da entidade ouvida pela AFP, o montante equivale a 2,3% das receitas da confederação em 2025. Em nota à agência, a entidade afirmou que o dinheiro retido "não afeta em nada a operacionalidade da Conmebol".
O Ueno Bank é patrocinador da Copa Sul-Americana desde meados de 2024. De acordo com a fonte ouvida pela AFP, o contrato termina em dezembro e não será renovado. A instituição afirma que a crise não terá impacto significativo no torneio nem na final entre Boca Juniors e Atlético-MG, marcada para 21 de novembro, em Barranquilla, na Colômbia.
No futebol paraguaio, os efeitos são mais diretos. Em poucos anos, o banco passou a patrocinar equipes da primeira divisão como Olimpia, Cerro Porteño, Guaraní, Sportivo Luqueño e Rubio Ñu. A marca também foi incorporada aos nomes de dois estádios: o Defensores del Chaco, pertencente à Associação Paraguaia de Futebol, e o La Nueva Olla, casa do Cerro Porteño.
Jogadores cobram providências
O presidente do sindicato Futbolistas Asociados del Paraguay, Rogelio Delgado, afirmou que há atletas prejudicados pela situação. "Há muitos jogadores afetados", disse ao jornal argentino Olé.
Os jogadores da seleção paraguaia, a Albirroja, também se manifestaram. Em comunicado publicado nas redes sociais do capitão Gustavo Gómez, o grupo afirmou ter sido vítima da crise e demonstrou solidariedade aos compatriotas afetados.
"Nós também fomos vítimas desta situação. Compartilhamos a mesma indignação, preocupação e dor que afetam tantos compatriotas."
Na mesma nota, os atletas cobraram do governo e da Justiça paraguaios ações imediatas, transparentes e sem distinção. A seleção classificou-se para a Copa do Mundo de 2026, após um intervalo de 16 anos sem disputar o torneio.