O governo do Reino Unido orienta os cidadãos a manter em casa um kit de emergência com suprimentos para três dias. A recomendação ganhou repercussão internacional, mas faz parte de uma estratégia adotada por ao menos 62 países, em formatos diferentes, para preparar a população para apagões, desastres e outras crises.

O que entra no kit

A lista britânica inclui alimentos não perecíveis, água potável, medicamentos de uso contínuo, rádio portátil, lanternas, pilhas, carregadores e dinheiro em espécie. Também são citados cobertores e itens de primeiros socorros, como alimentos enlatados e frutas secas.

Segundo o governo britânico, a água deve ser calculada para consumo, na proporção de três litros por pessoa por dia. Em uma reserva de três dias, isso representa nove litros por pessoa. A composição do kit deve considerar crianças, idosos, pessoas que usam medicamentos e animais de estimação.

A orientação não pede compras de última hora nem o acúmulo de grandes quantidades de produtos. A ideia, de acordo com as autoridades britânicas, é "organizar gradualmente uma reserva" que possa ser usada em emergências.

Por que o prazo de três dias

Em momentos de crise, o fornecimento de energia, água, internet e telefonia pode ser interrompido, assim como o funcionamento de transportes e supermercados. O período de três dias busca dar à população autonomia inicial enquanto as autoridades organizam a resposta e chegam às áreas afetadas.

Os riscos considerados pelos governos incluem desastres naturais, como enchentes, tempestades e incêndios florestais, além de apagões, ataques cibernéticos, conflitos armados e interrupções nas cadeias de abastecimento. A União Europeia incluiu a recomendação de autonomia mínima de 72 horas em sua Estratégia de Preparação da União, apresentada em março de 2025.

Prazos variam entre os países

Muitos governos adotam a referência de 72 horas, mas há diferenças. Suécia e Noruega orientam ao menos uma semana de autonomia, e o Japão sugere ampliar para uma semana o estoque mínimo de três dias. A Alemanha recomenda alimentos e bebidas para até dez dias, enquanto Áustria, Singapura e Eslováquia indicam duas semanas.

A Eslovênia tem uma das listas mais extensas, com alimentos para 30 dias por adulto, embora a reserva de água indicada seja de pelo menos três dias. Peru e México combinam mochilas de emergência com caixas de mantimentos: no Peru, o planejamento cobre quatro dias; no México, 48 horas na mochila e mais dois dias na caixa. Nos Estados Unidos, as orientações federais recomendam estoques para vários dias, sem prazo único.

No Brasil, não há recomendação nacional. O estado de São Paulo orienta a população a manter suprimentos para três dias, e por isso o país aparece na lista de locais com algum tipo de orientação. Na Austrália, Queensland recomenda reserva para três dias, assim como a Cidade do Cabo, na África do Sul.

Os kits, segundo as orientações, servem para atender às necessidades básicas da família enquanto os serviços essenciais são restabelecidos.