As bolsas asiáticas aprofundaram as perdas nesta sexta-feira, 6 de novembro de 2026, na esteira da forte queda das ações de tecnologia em Nova York. O índice Kospi, da Coreia do Sul, chegou a cair 8,8% e acionou o circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente os negócios em quedas bruscas. No Japão, o Nikkei 225 fechou em queda de 5,96%, aos 57.434,77 pontos.

Coreia, Japão e Taiwan reagem à queda em Wall Street

Na Coreia do Sul, as fabricantes de chips Samsung Electronics e SK Hynix recuaram mais de 6% cada. O índice principal de Taiwan caiu 4,5% e entrou em bear market, termo usado quando um ativo acumula queda de 20% ou mais em relação ao pico. O MSCI Ásia-Pacífico, que reúne as bolsas da região, perdeu 4%.

A Índia foi a exceção. Segundo a Bloomberg, investidores vinham apontando as ações indianas como um refúgio caso a aposta global em inteligência artificial perdesse força, e o Nifty 50, da bolsa de Mumbai, fechou no azul.

Nasdaq tem a maior perda em valor de mercado da história

Na quinta-feira, 5, a Nasdaq caiu 5,5% e entrou em correção, situação em que o índice recua mais de 10% em relação ao recorde. O S&P 500 perdeu 4,4%, e o Dow Jones recuou 1.833 pontos, ou 3,4%. Para os três índices, foi o pior pregão desde abril de 2025, durante o choque provocado pelas tarifas de Donald Trump.

Segundo estimativa da Dow Jones Market Data, a Nasdaq perdeu cerca de US$ 2,5 trilhões em valor de mercado em um único dia, a maior queda da história do índice nesse critério. As chamadas Sete Magníficas responderam por mais de US$ 1 trilhão dessa conta, e a Nvidia sozinha perdeu mais de US$ 440 bilhões, com queda superior a 9%.

Todos os 11 setores do S&P 500 fecharam no vermelho. O de tecnologia da informação caiu 7,30%, seu pior desempenho diário desde março de 2020. O VIX, conhecido como índice do medo, subiu 11,57 pontos e chegou ao maior nível desde 31 de março.

Eleições nos EUA e data centers no centro da virada

A semana começou com otimismo. A vitória ampla do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato levou parte dos investidores a apostar em um fim mais rápido da guerra com o Irã, e o petróleo caiu na quarta-feira. O alívio, porém, durou pouco. Com a mudança de forças no Congresso e a eleição de governadores que prometeram restringir projetos de data centers, o mercado passou a precificar regras mais duras para esses empreendimentos.

O Texas, estado com mais projetos de data centers planejados nos Estados Unidos, virou o foco. Segundo o Wall Street Journal, o mercado esperava que a moratória anunciada pelo governador republicano Greg Abbott fosse revertida. Agora, a democrata Gina Hinojosa, eleita para o cargo, defende manter as novas aprovações suspensas até que o Legislativo estadual aprove regras de proteção no ano que vem.

Como a infraestrutura de inteligência artificial, sobretudo chips e memória, sustenta boa parte do crescimento de lucros do S&P 500, o impacto foi além do setor de tecnologia. Ao Wall Street Journal, Mike O'Rourke, estrategista-chefe da JonesTrading, afirmou:

"As projeções de lucro para o próximo ano não são mais confiáveis."

As empresas de Elon Musk caíram mais que as demais gigantes. SpaceX e Tesla, que se uniram para construir a fábrica de chips Terafab no Texas, recuaram mais de 9% cada. Segundo o Wall Street Journal, a leitura do mercado é que a proximidade de Musk com o governo Trump pesa contra suas companhias no novo cenário político.

Na Ásia, segundo a Bloomberg, gestores de hedge funds e corretoras precisaram atender clientes em pânico, e investidores de alta renda de Taiwan a Hong Kong receberam chamadas de margem em apostas alavancadas. Os contratos futuros das bolsas europeias também operavam em queda nesta sexta-feira, sinal de que a onda vendedora deve chegar ao continente europeu.

Na Coreia do Sul, a reversão ganhou contornos políticos. Segundo a Bloomberg, o governo havia tratado a bolsa do país como um dos seus trunfos, e a queda, que já apagou mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado, provoca reação de pequenos investidores e testa a confiança da população em seus líderes.