Home Cotidiano Idosa de 83 anos descobre que foi dada como morta após erro em documentos

Idosa de 83 anos descobre que foi dada como morta após erro em documentos

Idosa de 83 anos descobre que foi dada como morta após erro em documentos

Uma situação inusitada e dramática aconteceu em Dianópolis, no Tocantins. A lavradora Anatálias Bispo da Silva, de 83 anos, precisou recorrer à Justiça para “voltar à vida” oficialmente depois de descobrir que havia uma certidão de óbito emitida em seu nome.

Segundo informações do g1 Tocantins, o problema começou anos atrás, quando um de seus irmãos utilizou a certidão de nascimento dela para emitir documentos pessoais. O registro original continha um erro: no campo de gênero, constava como masculino. Aproveitando-se disso, o irmão teria conseguido tirar um CPF usando os dados da lavradora.

Desde então, os dois passaram a compartilhar o mesmo número de CPF. Em 2008, Anatálias descobriu a primeira consequência dessa confusão: sua aposentadoria foi bloqueada, e ela foi informada no banco de que o benefício estava suspenso. Ao procurar o INSS, soube que outra pessoa recebia benefícios previdenciários em seu nome.

Para tentar resolver a situação, a idosa ingressou com uma Ação de Retificação de Registro de Nascimento, conseguindo corrigir o erro em sua certidão. Apesar disso, o problema persistiu. Em 2015, o irmão que usava os mesmos documentos passou a receber o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Assim, tanto ele quanto Anatálias recebiam benefícios do INSS vinculados ao mesmo CPF.

A confusão se agravou em 2018, quando o irmão faleceu. Como os dois compartilhavam o mesmo número de CPF, a certidão de óbito acabou sendo emitida em nome da lavradora. O cartório comunicou a “morte” ao INSS, que imediatamente suspendeu tanto o BPC do irmão quanto a aposentadoria de Anatálias.

Desde então, a lavradora viveu uma verdadeira batalha judicial. Em 2023, ela conseguiu reativar o CPF junto à Receita Federal, mas ainda assim teve a aposentadoria bloqueada novamente porque o cartório se negou a cancelar o registro de óbito, alegando falta de provas. Sem acesso ao benefício, Anatálias passou a depender exclusivamente da aposentadoria do marido, também trabalhador rural, e da ajuda dos filhos para conseguir comprar alimentos e medicamentos.

Aos 83 anos, a idosa enfrenta problemas de saúde como Parkinson, hipertensão arterial e depressão. Em entrevista, ela desabafou sobre as dificuldades enfrentadas:
“Sem dinheiro, eu não tinha como comprar remédio, nem as coisas para me alimentar. Eu tomo medicação controlada, e se fico sem, não sou mais gente, de tanta dor que sinto.”

A virada aconteceu no dia 4 de setembro de 2025, quando o juiz Rodrigo da Silva Perez Araujo, da Vara Cível de Dianópolis, determinou o cancelamento da certidão de óbito em nome da lavradora e ordenou que fosse feito um registro correto para o irmão falecido. A decisão também prevê a regularização definitiva do CPF de Anatálias, o que permitirá que ela volte a receber a aposentadoria.

Aliviada, a lavradora disse que agora sente esperança em retomar sua vida normal. “Fiquei muito alegre e agradecendo a Deus e a quem está trabalhando por mim”, declarou.

O caso expõe como erros em registros civis podem causar graves transtornos, especialmente para pessoas idosas que dependem de benefícios previdenciários para sobreviver.

Fonte: G1 Tocantins