A Embrapa lançou a plataforma Embrapa Trace, que permite rastrear a produção de soja, café e carne bovina e reunir informações sobre a origem dos produtos e as condições de produção ao longo da cadeia. Segundo reportagem do Globo Rural, a ferramenta busca ajudar produtores e empresas a comprovar o cumprimento de exigências ambientais e sanitárias de mercados internacionais, como a lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR).

Como a ferramenta funciona

O sistema reúne informações declaradas por produtores e agroindústrias e valida certificações já existentes para gerar um parecer único de conformidade. Disponível no formato de API (Interface de Programação de Aplicações), a tecnologia acompanha etapas como o cadastro da propriedade e das áreas produtivas, além do transporte, da armazenagem e do processamento dos produtos.

De acordo com o Globo Rural, a plataforma está conectada a outras soluções da Embrapa. Uma delas é o TerraClass, desenvolvido em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que fornece dados sobre a cobertura e o uso da terra na Amazônia e no Cerrado. Outra é o ElegiAgro, que cruza informações cadastrais, fundiárias e geoespaciais para avaliar a conformidade agroambiental das propriedades.

Relatórios e integração com o governo

Segundo a reportagem, o pesquisador Anderson Alves, da Embrapa Agricultura Digital, descreve a plataforma como um "passaporte digital do produto", por reunir rastreabilidade e sustentabilidade em um único parecer. Os relatórios podem ser acessados por QR Code e servir de base técnica tanto para negociações comerciais quanto para contestações de barreiras às exportações.

A tecnologia será disponibilizada como parte da plataforma AgroBrasil Mais Sustentável (AB+S), do Ministério da Agricultura. Enquanto a plataforma do ministério reúne informações sobre a adequação socioambiental das propriedades, a Embrapa Trace permite acompanhar a rastreabilidade da produção.

Para Eduardo Chikusa, chefe da Divisão de Comércio Internacional do Ministério das Relações Exteriores, a rastreabilidade atende exigências dos compradores internacionais. Ele afirmou que a tecnologia funciona como "a ponte que conecta a sustentabilidade praticada no campo à confiança exigida pelos mercados globais".

Prazos da lei antidesmatamento

A EUDR exige que seis produtos agropecuários e seus derivados comercializados no bloco não estejam associados a áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. Segundo o Globo Rural, a partir de 30 de dezembro de 2026, grandes e médios exportadores brasileiros deverão comprovar a conformidade por meio da geolocalização das áreas de produção, da documentação da cadeia de fornecedores e de uma avaliação do risco de desmatamento.

  • 30 de dezembro de 2026: prazo para grandes e médios exportadores
  • 30 de junho de 2027: prazo para micro e pequenos produtores

A Embrapa informou que mais cadeias produtivas devem ser incorporadas à plataforma, entre elas cacau, madeira, borracha, frango de corte, suínos e pescados, como atum e tilápia de aquicultura. Os pesquisadores também ressaltam que a ferramenta pode atender outras exigências internacionais, como o controle de antimicrobianos na produção animal.

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