Às vésperas do Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro, o arcebispo de Palmas, dom Pedro Brito Guimarães, publicou uma reflexão sobre a morte, a saudade e a importância de manter viva a memória de familiares e amigos que já partiram. Segundo a publicação do Jornal Sou de Palmas, o texto, intitulado “Os que morreram antes de mim”, foi divulgado na terça-feira (27) e defende que as pessoas conversem mais sobre a morte e se preparem melhor para lidar com ela.
Reflexão começou diante de um cemitério
De acordo com o texto, a ideia surgiu depois de o arcebispo passar em frente a um cemitério e observar uma placa que fazia referência aos mortos e aos futuros ocupantes do local. A situação o levou a pensar na própria finitude e nas pessoas que morreram antes dele.
Dom Pedro afirma que sente medo da morte, mas não a considera motivo de ódio. Ao abordar o tema, recorda bisavós, avós, pais, irmãos, amigos e outras pessoas que fizeram parte de sua trajetória.
“Não gosto dela. Evito-a ao máximo. Morro de medo dela. Mas não a odeio”, escreveu.
Para o religioso, o assunto deveria estar presente em conversas familiares, ambientes de trabalho, igrejas e até momentos de lazer. Ele também considera importante que as pessoas se preparem para a possibilidade de perder alguém próximo e reconheçam a própria mortalidade.
“Sou do parecer, embora seja voz isolada e vencida, que deveríamos falar mais sobre a morte”, afirmou.
Memória e valorização da vida
Ao recordar familiares e amigos falecidos, o arcebispo afirma que as lembranças e os vínculos afetivos permanecem após a morte, por meio das experiências compartilhadas e da saudade. No texto, ele relaciona a morte à passagem do tempo e à necessidade de aproveitar a vida, o que, segundo ele, ajuda a compreender o valor das relações humanas.
“A morte ainda tem muito a nos ensinar. É uma mestra silenciosa, portadora de uma sabedoria que nunca perdeu sua validade”, escreveu.
A reflexão também cita passagens bíblicas e a fé cristã na ressurreição e na vida eterna. Ao encerrar, dom Pedro diz que também enfrentará a morte e que pretende seguir dedicando a vida ao amor, ao serviço e ao ensinamento.
“Sei que um dia também partirei. Enquanto esse dia não chega, quero continuar vivendo, amando, servindo e ensinando a viver com plenitude de vida”, declarou.
Tradições católicas do Dia de Finados
Segundo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), citada pelo Jornal Sou de Palmas, os fiéis são incentivados a rezar pelas almas dos mortos, participar da Santa Missa e visitar os cemitérios. Acender velas e levar flores aos túmulos também fazem parte da tradição: as velas simbolizam a luz de Cristo e as flores representam carinho, respeito e saudade.
A Igreja ressalta que esses gestos não substituem as orações. Na tradição católica, a missa e as preces pelos falecidos ocupam lugar central nas celebrações da data.